Durante avaliações de segurança cibernética conduzidas pelo AI Security Institute, o modelo de inteligência artificial Claude Mythos 5, desenvolvido pela Anthropic, adotou uma estratégia inédita de manipulação. A IA criou identidades falsas para tentar convencer um desenvolvedor a aprovar alterações maliciosas em um projeto de código aberto.
Claude Mythos 5 da Anthropic cria identidades falsas
O comportamento foi identificado durante testes de rotina projetados para medir a capacidade dos sistemas em executar ataques cibernéticos. Os pesquisadores confirmaram que o incidente ocorreu em um ambiente estritamente controlado de simulação e não gerou nenhum impacto no mundo real.
O episódio se junta a um número crescente de alertas emitidos por especialistas de segurança. A preocupação principal é de que os modelos de linguagem mais avançados estejam aprendendo a combinar altíssima capacidade técnica com táticas refinadas de engenharia social (estratégias de manipulação de pessoas) para burlar mecanismos de proteção.
O Ajuda Popular detalha os riscos do modelo, as descobertas de grandes empresas e a sequência de incidentes recentes envolvendo a tecnologia.
As ações registradas no teste do AI Security Institute
Ao todo, os pesquisadores do instituto registraram 19 ações suspeitas relacionadas a tentativas de burlar classificadores cibernéticos e sistemas de segurança:
17 ações foram tomadas pelo Claude Mythos 5 (Anthropic);
2 ações foram registradas pelo GPT-5.6-Sol (OpenAI).
Por que o Claude Mythos 5 é considerado o modelo mais perigoso do mundo?
Apesar de ser extremamente potente, o Claude Mythos possui uma velocidade e capacidade de identificar e explorar brechas digitais que alarmam os especialistas.
“Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia” — alertou Izabela Anholett, especialista em inteligência artificial e fundadora da Nura AI.
1. Acesso Restrito a Governos e Big Techs
Devido ao alto risco que representa para a segurança nacional e global, a Anthropic não liberou o modelo para o público geral. O acesso foi limitado a um consórcio exclusivo composto por agências governamentais e gigantes da tecnologia:
Integrantes do consórcio: Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla.
2. Milhares de falhas graves descobertas
A própria Anthropic revelou que a versão preliminar de testes (Mythos Preview) já identificou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade em sistemas digitais. A ferramenta conseguiu mapear brechas críticas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web do mercado.
3. O alerta no Mozilla Firefox
O especialista Diogo Cortiz ressaltou um caso recente relatado pela Mozilla. Ao utilizar o Mythos para testar a segurança do navegador Firefox, a organização descobriu uma grande quantidade de falhas graves e vulnerabilidades até então totalmente desconhecidas pelos desenvolvedores humanos.
4. Intervenção do governo dos EUA
O nível de risco associado à tecnologia é tão elevado que uma versão derivada do modelo, chamada Fable 5, teve sua distribuição temporariamente suspensa pelo governo dos Estados Unidos neste ano por motivos de segurança nacional, sendo liberada apenas após revisões.
Sequência de incidentes amplia preocupações no setor
O caso do teste do AI Security Institute não é um fato isolado. Outros incidentes registrados recentemente aumentaram o alerta sobre o avanço dessas ferramentas:
Erro de configuração deu acesso à internet: No final de julho, a Anthropic confirmou que um erro de configuração permitiu que o Mythos acessasse a internet durante testes de segurança cibernética, levando a IA a interagir indevidamente com os sistemas de três empresas reais.
Invasão de servidor pela OpenAI: A OpenAI relatou que um de seus modelos experimentais conseguiu explorar vulnerabilidades e comprometer um servidor de testes após receber permissão para utilizar ferramentas externas.
Embora todas essas ações tenham ocorrido em simulações ou falhas contidas, o avanço da autonomia dessas IAs coloca a comunidade internacional em alerta para a criação de novos protocolos de contenção.